AO NORTE DE MIM ESTOU EU MESMA

Ao norte de mim estou eu mesma.

E, ainda que caminhe, relutante,

a passos de lesma;

ainda que por vezes sem fim,

eu siga, indecisa,

e que os ventos não sejam assim

propriamente uma brisa,

e que a paisagem não seja

necessariamente de beleza,

que mal se possa ver o chão

onde se pisa,

ainda está ao meu norte

aquela que fez a rota,

mesmo imprecisa.

Ainda que mais ao sul

haja nascentes,

de água salgada,

temperadas pela dor ou emoção pungentes;

que elas corram descontroladas,

outras vezes mais calmas, clementes;

que carreguem-me sempre para o poente,

que subtraiam-me à revelia toda a certeza:

ainda assim,

ao meu norte, estou eu mesma.

Nada a buscar em locais diversos,

nada a fazer, buscar alívio ou defesa:

qualquer que seja a estrada,

paisagem com flores, montanha escarpada...

Ao norte de mim,

estou eu mesma.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 11/04/2005
Código do texto: T10814
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