ESFINGE

Não tenho nada pra falar

que palavras alheias já não tenham dito.

Não há nada pra escrever

que alguém já não tenha escrito.

Não há nada pra ser feito

que num pretérito perfeito

já não tenha sido mais-do-que-perfeito.

Os meus substantivos são todos tão comuns

que mesmo que as idéias me pareçam abstratas

elas nem mesmo me são próprias.

No máximo, comum de dois.

Olho a esfinge no espelho

e ela me devolve, em tom de sarcasmo:

“Você é tão óbvia,

que nem tem que me decifrar”.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 11/04/2005
Código do texto: T10817
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