DO MEU JEITO

Eu não entendo nada de política.

Só quando passo pelas ruas esburacadas

pelo descaso das malfadadas autoridades

todas elas muito ocupadas

em fazer levantamentos esdrúxulos

e inventar desculpas esfarrapadas.

Eu não entendo nada de História,

nem da Antiga, Medieval, Contemporânea.

E se eu for bem sincera,

nem mesmo sei se tenho uma.

Mas anoto alguma coisa do que vejo

num verso ou outro, bem depressa,

antes que a minha memória

brevemente se consuma.

Também não entendo nada, nadinha,

de Arte (Pintura, Escultura, Cinema)...

Até hoje ninguém conseguiu me dizer

como eu sei o que é arte ou

o que é falta do que fazer...

Não entendo nada de Poesia:

absolutamente nada.

Não sei qual é a regra pra rimar,

ouvi falar em alexandrinos,

redondilhas, hai-kais, tercetos,

poesia concreta (que diabo é isso?

sempre pensei que poesia era

algo tão abstrato...)

Não sei nada de métrica,

disso só conheço a fita,

mas vou escrevendo assim mesmo

no ritmo e rumo que

a própria palavra me dita.

E quer saber?

Nada disso me faz falta.

Deixo a palavra correr,

descer liquidamente a ladeira

entre minha cabeça e meu peito,

ir lavando o caminho,

e certeira,

ir saindo do meu jeito.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 12/04/2005
Código do texto: T10907
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