DE TUDO QUE NÃO É MEU

Não é minha esta palavra

que escorrega-me da mente

e desce por entre os dedos

como um filete de sangue

que escorre-me da tua falta.

Não é minha esta calma

com que falo desta ausência

que feito faca rasga-me as manhãs,

escurece-me as tardes

e assombra-me as noites da alma.

Não são minhas as lembranças

que vão povoando instantes

com uma fertilidade sem par.

Não é meu este torpor

que paralisa-me o sangue

e segue mantendo-me alheia.

Nada disso é meu.

Mas assim mesmo juntam-se contra mim

e conservam-me refém

de tudo que,

não sendo meu,

apropria-se de mim.

E tudo que não possuo

é tão parte de mim

quanto este meu sentimento,

que não sendo mais meu,

agora

é apenas teu.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 17/04/2005
Código do texto: T11731
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