VIRA E VOLTA, VAI E VEM

Uma vez circulei você

com linhas que iam dos meus braços

aos pontos finais dos meus amassos.

Você fez uma careta meio ovóide,

e saiu em movimento helicoidal

e voou feito um asteróide.

Mas como tudo que sobe, desce,

caiu de novo no meu quintal.

Uma vez envolvi você

num triângulo pouco equilátero.

Você se equilibrou em cima

de um amor superlativo,

e apesar da superfície áspera,

esperneou sobre minha conduta relativa,

e permaneceu ancorado numa hiperbólica esperança,

derramando zilhões de lágrimas

sobre a minha obtusa cegueira.

Quase anulou a confiança.

Mas permaneceu paralelo.

Quem sabe à espera de uma aguda crise de bom senso.

Agora cá estamos,

depois de muitos vira e volta,

eu continuo circulando você,

elíptica e fechada,

helicoidal, subindo e descendo

e indo e vindo.

E você continua onde sempre esteve:

no meu centro.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 19/04/2005
Código do texto: T12020
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