***SAUDOSA PANTANEIRA***

Em frente ao seu teclado, mui saudosa a pantaneira

Relembra o som enrolado, que faz agora a betoneira

Chora, chora a saracura, com as canelas mergulhadas

E grita: -- Ninguém segura, as minhas pernas molhadas

O gavião caramujeiro, pousado no toco de pau

Rastreia com olhar ligeiro, o seu manjar sem igual

Cadê a trilha do rio, que serpenteia ao redor

Ouço o canto do canário, que ecoa no arredor

O pacu e o bagre pintado, e a coruja buraqueira

No barranco encostado, escutam a louca pieira

É no verde desta mata, que acompanha o rio

É ali que se retrata, a bicharada no cio

E a brisa pantaneira, desta mata imaculada

Lá no alto da palmeira, grita, a caturrita chocada

E no meio da estrada, vai correndo bem ligeira

A bela onça pintada, que sai levantando a poeira

Aporta na ribanceira, a nossa velha chalana

Se espalha pela esteira, que parece terra plana

Por amor ao pantaneiro, há de ser sempre lembrado

O nosso bravio vaqueiro, pelo espinho guasqueado

A parte mais funda do rio, lugar de difícil acesso

O vaqueiro em seu desafio, atravessa o progresso

Ao relembrar minha infância e o meu sonho embalado

Era sempre uma constância, o miar do gato pardo

É tanta coisa bonita, que tem o meu pantanal

Desde a onça chita, a gritar no meu quintal

Jacaré foge ligeiro, corre pra água encantada

Espera o veado campeiro, para dar uma bocada

Tuiuiús empoleirados, em grandes ninhos gentis

Feitos de galhos quebrados e parecem tão sutis

Um sol de causar inveja, à vitória régia beijando

E o orvalho esbraveja e fica nela pingando

O tear era perfeito, das aranhas caranguejeiras

Que pegam logo de jeito, os manjares bem ligeiras

O canto da saparia, o assovio dos bugios

Eram mais que gritaria, do que berro de bravios

A lesma mui vagarosa e a serpente encantada

Em sua prosa gosmosa, olham chorosa boiada

E os cantos dos cardeais, só poesias mais nada

Pelos ventos outonais esperando a invernada

E o papagaio faceiro, repetia bem ou mal

O nome da bicharada, do meu lindo pantanal

Calça de couro e laço, botas cavalo e cão

Desse vaqueiro eu faço, o herói do meu sertão

Ao longe escuto o berrante, que acalma e consola

Apenas por um instante, o esperar que nos assola

E assim chega festeiro, de uma vida alvissareira

E cante logo violeiro, a sua viagem estradeira

E a morena cor de mel, que espera ao pé do fogão

Com o coração á tropel, lhe puxa firme na mão

Retirando-lhe a perneira, o cinto e o facão

Oferece-lhe, a farofeira arroz e muito feijão

E Vai chegando o verão, choro eu e o mundo inteiro

As terras inundarão.....

“Saudades do Pantaneiro!”

***fioredemel***

fioredemel
Enviado por fioredemel em 29/10/2008
Código do texto: T1253732
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