POEMA DERRAMADO EM AMOR

No meio dos pingos

de uma meia chuva

no final da tarde

uma poesia toda

passou por mim.

Senti que passava,

só não me pergunte

como sabia.

Eu nem sei onde estava,

nem tinha idéia pra onde ia.

Não sei onde estava com a cabeça:

só me lembro das tuas mãos

e da tua cabeça entre os morros

como um sol nascendo

em desenho de criança...

e foi naquela hora que

percebi que a poesia

passava feito sangue

nas minhas veias saltadas.

Não deu tempo de retê-la

até porque não tem como.

A poesia vem

quando menos se espera

e se vai, nem se sabe como.

Escorreu pelo leito do rio

que se formou entre os morros

um pouco abaixo da tua boca.

Só voltei a vê-la no teu rosto

que sorria as letras do

poema derramado em amor...

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 22/04/2005
Código do texto: T12559
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