PREDIO-NAUTA.

Preso às ferragens, pés no ar;

Ar sem chão, homem cimento,

Cimento prisão, sem aragens,

Homem coragem.

Assim digo ao homem,

Predio-nauta, rei do asfalto,

Da luz, que não ilumina,

Ofusca, mata

Luz sem prata,

Sem estrelas,

Coloridas de cores falsas,

Assim o homem que digo,

Ser parecido comigo,

Vivendo junto,

À separação, à luta

que disputa sua alma,

Seu sangue colorindo asfalto,

Tão longe da calma,

Da carma, do mato,

Do homem inimigo,

Do homem que não digo.

Solto á terra,

Pés no chão,

Homem jeca,

Ignorante,

Ignora progresso,

Ignora cimento,

Ignora cultura,

Cultura de ferro,

Cultura que espero

Levar-me de volta,

Bem longe do mundo,

Do mundo concreto.

(D`Eu)

Sidnei Levy
Enviado por Sidnei Levy em 24/04/2005
Código do texto: T12773