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DESCONTROLE REMOTO

Num outro dia estava eu a capinar o quintal
quando me veio uma vontade animal
de escrever umas palavras
que por dentro pulavam
e sorriam e cantavam...

Com mãos cheias de terra não aguentei a espera
e assim mesmo fui correndo rumo à caneta com esfera
que mais que depressa se prontificou com sua tinta
preta que muito prazer me causa ainda
e disparei palavras com o mesmo prazer
que me causa com calma e fúria erguer
a enxada e provocar fendas largas
para o plantio de mandioca...

Papel e terra se combinam como o Papa e o Bin
já que o branco do sulfite repleto do marrom em mim
se transformaram em palavras como ramas
algumas delas com escamas pulavam como em aquário
versos com barbatanas se esgueiravam pelo cenário
e um pirata navio sem mastro e proa afundado
remetia ao Gancho e seus asseclas sanguinários...

Na tv. mulheres lindas desfilavam minúsculas lingeries
e o poema à espreita se arrepiava como um louco bem-te-vi
na terra solta que descansava sobre o quase branco papel
enquanto a imaginação andava léguas à procura de grafite
para esculpir no tenro da árvore um fino estalactite
que perfuraria a caixa de abelhas para jorrar o doce mel...

Calmo como o sol quando acorda e estica os braços
apanhei versos caídos uns verdadeiros e outros falsos
e na mistura dos grãos de terra com virgens folhas
as mãos do capinar ainda sustentavam algumas bolhas
compus amores e separações com a fome de corações
que transitam entre reais promessas e desilusões
e voltei à lida no quintal que sorria pouco capim
voltei à vida que há em tudo em todos em mim.



Preto Moreno
24/03/2006
















Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 24/03/2006
Código do texto: T127866


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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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