NUA

Nua.

É como, pouco a pouco,

me tens diante de ti.

E é teu olhar quem me desnuda,

perscruta-me os segredos

investiga-me a alma...

Lenta e delicadamente deixas cair,

um a um,

os véus que me cobrem.

Nua.

Minha nudez te encontra surpreso.

E mais ainda a mim mesma.

Nem sei porque tanta surpresa...

Era tão certo que me adivinharias...

Teu olhar demonstrava,

afirmava, garantia....

"Hei de despir-te toda,

descobrir os teus segredos,

deitar ao chão os teus véus..."

Nua.

Não a nudez que incomoda,

que amedronta, que expõe...

mas uma nudez tranqüila,

um estar à vontade,

um estar leve..

Os véus são agora inúteis.

Não há nada a cobrir...

Há uma alma despida.

Nua

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 25/04/2005
Código do texto: T12923
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