NO MEIO DA MADRUGADA

No meio da madrugada

as horas frias congelam-se

nos dígitos do relógio.

Nelas, congelam-se também

os discursos mais calorosos,

que adormecem.

Ficam entre as palavras

intermináveis vãos

de um silêncio

que congela, entorpece.

Nestas horas congeladas

a santa da luz do dia

ou perde logo os pudores

ou desvaria, enlouquece.

Nestas horas congeladas,

no meio da madrugada,

em que tudo o mais adormece

meu coração acorda

ao som da tua voz e

a minha,

emudece.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 26/04/2005
Código do texto: T13103
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