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PRECE REZADA

Rezei,
enquanto dormias,
com uma fé nunca sentida.

Pedi,
por mim, por Deus e por ti
para que a humanidade possa
acreditar um pouco mais em si mesma.

Fiz questão absoluta do silêncio,
Estavas dormindo. Lembras?

Assistias borboletas debaterem-se nas vidraças,
beija-flores em rota de mais uma colisão,
e águias rapinando outras presas.

E nem assim acordaste.
Dormias. Lembras?

Pedi
ao primeiro idiota que saiu às ruas
que retornasse lúcido pra casa.

Deste-me muxoxos,
viraste de um lado para o outro da casa
pressentindo que, só, me perdia
da tua lógica proximidade.

Assistias os rinocerontes invadindo os quartos
da sala pequena
quando um gnomo aparecia na tela.

E nem assim acordaste.
Lembras?

Pedi
pela milionésima vez que sobrassem seresteiros
neste país de pagodeiros.

Deste-me os ombros largos, quase bandeja,
para que tomasse o cadê da manhã
agora, quase muito frio.
 

E aflita acordaste
para assistir o meu olhar descansado a te olhar
sem compreender tantos pedidos feitos
enquanto te rezava
morta de sono.

Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 11/04/2006
Código do texto: T137617
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho