POEMA DA MULHER MUITO AMADA

Aquela mulher alada

que voa ao redor de nada,

conheço aquela mulher:

é a mulher muito amada.

Amada não por muito bela,

e não que bela não seja:

ainda assim muito amada

e não porque assim deseja.

Amada por muito bela,

amada não pela beleza,

amada por muitos, ela,

foge das mãos que a desejam.

Amada não por desejada,

e não que não a desejem,

não se quer assim amada,

não busca lábios que a beijem.

Amada não por amável,

e não que seja o contrário,

quer apenas o razoável:

voar trancada no armário.

Voar em seu próprio mundo,

sozinha na multidão,

descer a abismos profundos,

mergulhada no coração.

Aquela mulher alada

cujos passos conheço

é uma mulher cansada:

tanto amor lhe custa um preço.

Aquela mulher amada

que alada, voa, flutua,

não quer viver adornada:

quer simplesmente estar nua.

Nua, mesmo vestida,

amada, por razão nenhuma;

livre, mesmo contida,

ela é muitas e é só uma.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 30/04/2005
Código do texto: T13866
Copyright © 2005. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.