DEVASSIDÃO INGÊNUA

Em cada milímetro da tua pele

percorro uma estrada inteira.

Renasço das cinzas de outrora,

surge a louca, morre a freira.

Já vai tarde, perdeu hora.

Em cada toque, teus dedos,

secam feridas e dores.

Vão-se os medos,

os anéis, e junto também os dedos.

A cada leve passada

da tua língua em brasa,

adeus, bem comportada,

eu agora ganhei asas.

A cada som da tua voz,

meu corpo todo amolece;

o juízo, meu algoz,

evapora, desvanesce...

A cada amor mais devasso,

mais de mim se faz teu,

mais virgem e pura me torno,

se mais libertina me faço

e mais de ti se faz meu.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 01/05/2005
Código do texto: T14181
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