ACERTAR CONSIGO MESMO

Há dias na vida da gente

que por mais que se insista,

se faça perguntas e tente,

mesmo forçando a vista,

coisas há que não se entende.

E o tempo vai passando,

e a teima-se o impossível,

faz-se perguntas, tentando

compreender o incompreensível.

Vai-se tentando acertar

e o acerto, como o vemos,

acaba por se transformar,

a outros olhos, veneno.

Vive-se tentando viver

em acordo com o que se pensa;

mas da verdade – o que dizer?

Não é a verdade do outro:

e esta é toda a diferença.

Há dias na vida da gente

que é vão olhar pra dentro

para um lado ou para a frente,

parado ou em movimento,

ou ainda para o espelho,

mesmo com lente de aumento,.

Por mais que a busca cresça,

tentar encontrar o erro,

onde? quando? por quê?

Nada. Não há nada que pareça

errado no que se vê.

Não há erro: eis o resumo.

Nem equívocos, nem desvarios.

Nem caminho certo ou rumo.

Nada. Nada vai botar num prumo

que a todos satisfaça.

Nem tente.

Não vai nem ter graça.

Vai perder seu tempo,

jogar aos porcos as pérolas,

em coisas inúteis, bons momentos,

com mau defunto, boa vela

e esteja certo, acredite:

Não tem conserto ou remendo, .

Certo aqui, errado logo em frente,

o seu acerto de agora,

é logo mais erro tremendo.

Acertar com o mundo,

é com certeza,

o caminho mais curto e certeiro

de errar consigo mesmo

e continuar na mesma.

Mais simples é virar pedra,

das bem toscas e duras:

vem as flechas, voando, certeiras,

mas atingem-te a parede e às escuras,

vão ao solo, viram nada.

Poeira.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 05/05/2005
Código do texto: T14895
Copyright © 2005. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.