OUTONO-ME

Outona-se a minha vida.

A cada dia, novas velhas folhas

esparramam-se na estrada percorrida,

como as alegrias, as dores, as escolhas

(as boas e as mal escolhidas).

O outono desce seu pano castanho

aos poucos sobre o meu rosto.

Olho o espelho e ainda estranho:

Que cara é essa? Alegria? Desgosto?

Não importa. Não sou deste tamanho.

Sigo a olhar-me dia após dia,

enquanto o outono segue lentamente

despejando suas folhas pela via

que se abre a minha frente.

Outona-se. Outono-me.

Não penso em recolher as folhas caídas.

Basta-me olhá-las.

Observá-las assim caídas,

sem, no entanto, pensá-las.

Quando a gente está a outonar-se

não há muito tempo para o pensar:

Mas é imprescindível pensar-se.

O outono sobre mim segue sua lida.

Um vento indiferente que sopra

as folhas do chão da vida,

pra que lado não importa,

as folhas da nossa vida...

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 05/05/2005
Código do texto: T14925
Copyright © 2005. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.