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INTIMIDADE / ELEMENTAR / SETE / ZOOLÓGICO CELESTIAL

INTIMIDADE

Fora da casca
E dentro da coisa
Fora da clara
E dentro da gema
Fora do ar
E dentro do respirar
Fora de hora
E dentro do tempo perdido
Fora dos letreiros
E dentro da luz.

ELEMENTAR

De que somos feito?

Se bem me lembro, de hidrogênio, carbono,
Estática e um nanograma de imperfeito...

De osso duro de roer.

Somos cavalos por aproximação oxigênica,
Somos a tinta a nos inscrever
Numa possibilidade clonada e transgênica...

Talvez eu seja a sua gravata
Como és a minha africana melodia.

Talvez, como Pessoa, nada
Entre o sol da meia-noite e o céu do meio-dia...

Se compararmos nossos tensos nervos
Talvez descubramos efetiva aproximação...

Um quilate de sufocado medo
Na mina oculta do nosso coração...

Mergulhemos, os dois, no oceano
Vermelho e encontremos a ilha
Onde traçamos o melhor plano,
Viver, como se deve, a vida...

Bebamos, como Baco, da vinha celeste.
Os elementos estão soltos pelo ar.
E em nossa unidade a prova inconteste:
Elementar é viver, elementar é amar.



SETE

É sempre sete a conta que no fim das contas sempre dá.

Sete chagas, sete pragas,
Sete meias e uma para calçar,
Sete jeitos para não ascender
E sete vidas além da que já há.

Como se eu tivesse sete membros
E um que vai chegar,
Sete templos e um só Avatar,
Sete espíritos
E um para espirrar...

Se eu tivesse sete canivetes e uma só lata para abrir
Haveria de achar sete jeitos para me confundir,
Sete semanas passaria na montanha
E encontraria sete entranhas
E uma só para fugir...

Sete é o macho da seta,
Da última porta aberta,
Sete pontos de acupuntura,
Sete noites escuras,
Sete vestes
E uma só para me cobrir...

Que fossem sete os dinâmicos portais,
Ainda assim eu acharia sete animais
E escolheria um para sacrificar,
Com sete garras
E uma para me agarrar,
Ainda assim acharia sete jasmins
E, todos eles,
Perto e tão longe,
Que o aroma exalado
Seria sete espelhos dentro de mim,
Sete portas para o infinito,
Uma só para o cósmico jardim.


VISITA AO ZOOLÓGICO


O que me faz diferente do macaco
É que descasco a banana,
A unto com mel,
Uso o garfo,
O prato,
O papel,
Para limpar meus lábios
Manchados de natureza.

O que me faz diferente do urso
É que unto com mel
As bordas do céu
E uso a palavra,
A larva paradigmática
para entrar no Éden
Onde todos dão
E poucos recebem.

O que me faz diferente da jaula
É que eu a criei,
Expus-me expondo o ser
Que sou, sem perceber,
Que tenho a chave,
Que sou a liberdade
E o desprazer
De não entender
A língua de quem fala
Sem falar
Por estar do outro lado
Da jaula
Do seu perceber.

O que me torna igual
É ser um animal
Cheio de corredores
Com portas enfileiradas
Que dão pra dentro
Do que é pra ver
Antes da mutação
Acontecer.

O que me torna igual
É ser decomposto
E lançado e posto
No zoológico celestial.


Preto Moreno




































































































































































































































































































































































































Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 10/05/2006
Reeditado em 23/05/2006
Código do texto: T153806


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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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