PARA SEMPRE, NUNCA MAIS (revisado)

Para sempre é muito tempo.

Tempo demais.

No sempre, o tempo que vem

e o que ficou lá atrás.

Nele cabe o nunca,

como cabe no nada o tudo.

Para sempre é o agora.

O aqui é o mundo.

Nunca mais é a mesma hora.

Lugar nenhum. É tudo.

Para sempre é uma ilusão

que mora dentro da mente.

Não serve ao coração.

Nunca mais é como sempre.

Sempre rondando a mente,

com as manhas da cabeça

e driblando o coração.

Não tem sempre,

nunca também não há.

O que há é esse instante

que já acaba de passar.

Para sempre esgota as chances

de ter o agora nas mãos,

como o nunca traz nuances

de uma sutil ilusão

de ter sob nosso controle

o que é só uma presunção.

Sempre é tempo demais:

carrega o mesmo peso

de se dizer nunca mais.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 09/05/2005
Código do texto: T15969
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