BICHO BRAVO, GATA MANSA

O fogo dos seus olhos

incendeia minha casa.

E cada um dos meus cômodos

vai ardendo feito brasa.

O incêndio se espalha

e você, não satisfeito

com tanto fogo na palha,

vai achando logo um jeito

de não deixar nem migalha

do pouco que ainda trago

de juízo em minha tralha...

Abre a boca, rasga o verbo,

não economiza na fala,

quebra o silêncio habitual,

solta o lado marginal,

e muito bem, aí está:

subo as paredes,

solto a louca,

balanço as redes,

rasgo a roupa

e lá se vai a compostura,

já era toda a elegância,

pronta pras travessuras,

bicho bravo, gata mansa...

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 14/05/2005
Código do texto: T16973
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