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Céus! Que o castigo não me seja tanto!

(Tere Penhabe)

Quem dera eu fosse aquela senhorinha
Para a qual tantas podas eu sofri.
Que desfiasse as contas do rosário,
A suplicar em prol de uma ilusão,
Com toda a fé que pode o coração
Que se preciso, fosse perdulário.

Quem dera ainda cresse nos humanos,
Sem ressaltar seus gestos desumanos
Que atiram pedras em qualquer lugar,
Pondo aranhas nos quintais vizinhos
Sem preocuparem-se com seus filhinhos,
Que sempre estão a cerca a atravessar.

Quem dera fosse crédula o bastante,
Para enfrentar a cena arrepiante,
Que acontecia em frente ao sacrário.
E pousa na memória de algum dia,
Quando naquela igreja eu sempre via,
Ajoelhadas no confessionário...

Doces moçoilas tão arrependidas,
Parecendo tristes, condoídas,
Com suas listas rotas, de pecados...
Mas que soube depois, muito depois
Que como quatro somam dois, mais dois
Estavam, na verdade, a ser trocados.

Por prevenção, todas faziam figa!
E o padre a fingir ira (Eu que o diga!),
Que grandes pares de inescrupulosos!
Sequer respeito ao Crucificado,
Em tempo algum, por eles, foi doado,
E todos se benziam, pesarosos!

Antes do tempo completar um ano,
Via-se a moça aumentando o pano,
Do seu vestido feito de repente.
Para esconder o desonroso feito,
Que na verdade não tinha mais jeito,
Pois já trazia um filho no seu ventre.

E foram tantas vezes, a saber!
Não foi por isso que eu deixei de crer.
Mas falta-me coragem... Ou covardia?
Para listar pecados, que são tantos...
Eu vou amontoando-os nos cantos,
Até que me sufoquem, à revelia.

Aos poucos foi ficando só Meu Deus...
Que nunca abandona os filhos Seus.
Mas mesmo assim, ainda gostaria:
- Ser uma das mulheres do meu tempo!
Que temiam tempestade e vento,
Com os quais agora eu faço poesia.

Quem dera, em vez de queijo e cerveja,
Eu visse colocada sobre a mesa,
A fumegante chávena de chá...
Em vez de amar alguém que não conheço,
Que sequer me destina algum apreço,
Crer que um dia esta vida acabará...

Esperar lamentosa por tal dia!?
Sem nunca espalhar tanta folia,
Em vez de poetar, somente orar!?
Céus! Que o castigo não me seja tanto!
Não me ouça, eu estou suplicando!
Eu quero mesmo nessa vida, é errar!

Santos, 21.01.2008
www.amoremversoeprosa.com
Tere Penhabe
Enviado por Tere Penhabe em 10/09/2009
Código do texto: T1801888


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Sobre a autora
Tere Penhabe
Santos - São Paulo - Brasil, 66 anos
252 textos (29215 leituras)
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Tere Penhabe