(DI)VAGANDO

Dentro de mim mora, não raro,

um insuportável silêncio, um nada.

É, a um tempo eterno

e um pequeno intervalo,

uma ruidosa presença de mim,

calada.

No espaço imenso e infinito em que Ele habita

passeia um vulto etéreo, de leveza tal

que, flutuando de um lado a outro,

me fita

como espelho

de transparência sem igual.

Num momento reflete-me a face

e logo depois me atravessa

para em seguida,

coisa indigesta,

permitir-me que o transpasse.

Ora me vejo como me penso,

ora às avessas.

Neste silêncio que em mim habita

mora este ser que me encara:

de olhar tranqüilo,

boca muda que escancara

toda a verdade que em mim hesita.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 19/05/2005
Código do texto: T18070
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