A BAILARINA

Quando a vejo na fantasia larga,

Lembra-me imenso buquê que larga

Perfume e pétalas ao vento

Inundando o ar em compasso lento.

Provocantes, os pés têm pontas de rosas,

E os passos são notas suaves, preciosas,

Que a platéia aplaude e tece louvores,

Sem perceber, da câimbra, os horrores.

Eleva-se como se o chão fosse movediço,

A música acentua-lhe a graça e o viço,

Quando pousa firme, parece garça mansa,

No palco, seu mundo de esperança,

Iluminado por refletores, cuja luz feiticeira,

Ressalta sua performance e expõe inteira,

A plasticidade do espetáculo, uma beleza,

Conjugada à técnica e à sua leveza.

(para a menina bailarina)