CONDICIONAL (ou O poema que deveria ser para ti)

Eu sei que este poema

deveria ser para ti.

Mas as palavras,

levaste-as da minha boca

Dentro da tua.

No último beijo ao sair.

Eu sei que este poema

deveria falar do teu rosto

cuja imagem tão linda

insiste em povoar

os cantos da minha memória.

Ainda, ainda e ainda.

Eu sei que este poema

deveria lembrar o teu gosto.

Mas o teu gosto não tem nome,

não tem palavras

e está tão grudado no meu,

que quando o penso,

ele some.

E eu permaneço aqui.

Com fome, muita fome.

Eu sei que este poema

deveria falar das tuas mãos.

Essas mãos que fazem

do amor uma arte

apenas por existirem.

Mas tuas mãos continuam

grudadas na minha pele

e não há como colocá-las

nos versos.

E quando eu tento,

elas se colam.

Eu verso, verso.

Mas fico no reverso.

Eu sei que este poema

deveria...

Mas meu sentimento

assim meio pretérito,

um tanto condicional,

está tão virado para o futuro

que o presente indicativo

está todo tão escuro

e parece indicativo

que meu presente,

pelo menos na hora atual,

tem que esperar o presente...

do futuro

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 21/05/2005
Código do texto: T18824
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