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Meretriz


Sim, eu vendo! Vendo todos os dias as minhas horas, os meus minutos
Vendo o meu tempo
O raciocínio lógico
Meus dedos, meus olhos, minha mente a pensar
Vendo todos os segundos enquanto o dia brilha
E depois, vendo novamente enquando aqui a lua faz morada
Vendo o meu olhar distante
Na análise de dados
Na espera ao telefone
Nos passos apressados
Ao sentar meio de lado, pra ver tudo revelado
E assim produzir
Vendo minha disposição, meu cansaço, meu olhar aturdido
Meu sono perdido
Só não vendo a pele porque recobre a carcaça
Não vendo o cabelo porque cachos não ineressam
Não vendo a mãe porque ninguém quer
Não vendo o perdão pois santa não sou
Não vendo a alma porque a Deus pertence
Não vendo o pecado pois não quero cobrança do diabo
O resto eu vendo – Vinte horas por dia
Sete dias por semana, e assim se vai o ano
Vendo de dia o pensamento
Vendo de noite minhas mãos em arte
Vendo pra viver, pra comer, pra beber
Não vendo pra dormir
E vendo por prazer

Não vendo meu beijo
Este não vendo – este é por inteiro
Somente pr’aquele que merecer
A saliva que transborda nos lábios sedentos
No dente que machuca, no desespero
A luxúria que percorre o corpo, que captura o gosto
Da pele, da vontade de se dar por inteiro
Este não vendo – este beijo lascivo, exigente
Este tem dono – não posso vender!
Fátima Batista
Enviado por Fátima Batista em 30/11/2009
Reeditado em 30/11/2009
Código do texto: T1953120
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Fátima Batista
Santo André - São Paulo - Brasil, 56 anos
1436 textos (75143 leituras)
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Fátima Batista