Semitonado

lisieux

O amor era perfeito

feito a flor de mesmo nome,

era puro, rarefeito,

beija-flor, flor, sem prenome,

sem pronome, sem idade...

O amor era leveza

e sutil delicadeza;

Era água, correnteza,

era som de cachoeira...

O amor era tão lindo,

com cheiro de tamarindo,

sabor de maduro figo,

sempre aqui, sempre comigo...

o amor era canção,

suave composição,

brisa fresca entre folhagens;

o amor era mistérios,

era sonho, devaneios,

era desejos e anseios

e nós, como personagens..

Mas o tempo, esse carrasco,

soprou como vento forte...

o amor, mudou de norte,

foi pra outra direção.

E a sublime canção,

que era acordes, sinfonia,

perdeu a sua magia

e encheu-se de semitons...

E o amor, desafinado,

hoje é triste, desprezado,

sozinho se encontra em mim;

pois tu te foste dele,

pra longe, pr'outras paragens

e despiu-me das roupagens

alegres da primavera.

Inverno se faz em mim.

Vive aqui comigo, enfim,

o passado... essa quimera.

BH - 12.12.03

lisieux
Enviado por lisieux em 26/05/2005
Reeditado em 26/05/2005
Código do texto: T19760