A PORTA

Hora abre,

Hora fecha.

Lá dentro, esconde muitos segredos.

Segredos dos mais bem guardados e que,

Talvez pelo próprio mistério,

Causam tantos suspiros a quem fica do lado de fora.

A Porta é muda

Mas pudera eu grudar meus ouvidos

em seu pedaço de árvore seca –

pedaço seco, não morto!

Descobrir afinal, o que há por detrás de tamanha fortaleza.

Por que tanto abre e fecha em certos dias;

Por que sequer um movimento em tantos outros...

Passou-se o tempo em que o mistificado

era aquele que habitava na misteriosa fortaleza.

Na verdade, o maior misticismo é em relação àquela

que tudo vê,

tudo sabe,

mas nada diz.

E enquanto divagações eram colocadas no papel,

A Porta se abriu novamente.

Silenciosa, como na maior parte das vezes,

Abriu consigo a curiosidade de uma moleca saltitante,

Que não sabe por que

e nem como

Murcha toda vez que ela se fecha.

II

Então,

em uma noite quente de verão

a Porta fechou.

Lá fora, caminhavam lembranças tortas,

olhares inconformados

e sorrisos embaraçados.

Lá dentro era vazio.

Já não havia mais mistério,

não mais provocaria suspiros.

A Porta –

tão mística porta!

era agora apenas uma porta.

Pedaço de árvore seca –

pedaço seco, morto!

A Porta fechou

E não mais abriu.

Patricia Florindo Martins
Enviado por Patricia Florindo Martins em 14/12/2009
Reeditado em 24/10/2011
Código do texto: T1977708
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2009. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.