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Nua

Tantas notícias ruins neste 2009...
Por causa delas eu me desnudei
em sobressaltos, tristezas, descrenças,
sustos incontáveis, medos,
vergonha da condição humana,
desesperança, lágrimas, compaixão,
incredulidade, revolta, desprezo,
e  sentimentos menores.
Mas o que me dilacerou a alma,
foi - ora vejam só -  um poeminha
singelo, e de singelo, imensurável.

E para aqueles que, na comparação
inevitável entre as desgraças
e a simplicidade de um poema,
julgarem desproporcional ou ilógico
o que vai nos pratos dessa balança,
saibam que muito mais me corrói
a constatação tardia
de que somente Manuel Bandeira
arrebataria de amor
a minha alma de poetisa.

Mas é tarde, tão tarde,
e eu vou adormecer
nua, nua de saber
que será tarde, tarde,
sempre tarde
sem Bandeira.
Cissa de Oliveira
Enviado por Cissa de Oliveira em 30/12/2009
Código do texto: T2002850

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Sobre a autora
Cissa de Oliveira
Campinas - São Paulo - Brasil
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Cissa de Oliveira