Teias

Angélica T. Almstadter

Presa no limiar da sorte, balança a teia,

sem proteção e sem visgos.

A vida por um triz, vivida, se assenta e

convida;

Danem-se os inúmeros riscos,

Na alma que passeia livre,

Um único abrigo se pede,

Um em que se agarre aos fios tecidos,

Sem que neles envelheça sistemático;

O amor sonhado e cultivado,

Amor eternamente cálido.

Cruscificado nas linhas trançadas,

Suporta a vida emprestada;

O sentimento mais breve.

Bastam-se em si, já que nessa malha,

Por mais fina e leve,

Não há quem por ela valha,

Não há amor em dose universal,

Que a ela se aprisione, de forma total.

Angélica Teresa Faiz Almstadter
Enviado por Angélica Teresa Faiz Almstadter em 27/05/2005
Código do texto: T20059
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