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DEUS MEDO


Deus medo quando vi deu.
Snooker celeste, meia, oito, sete,
Soube pelo jornal que o homem ascendia do animal.
Rezei, orei, mijei, sarei, curvei
As omoplatas às platinadas asas,
Chagado e doendo vi o que vi,
Deus entrar adentro
E descobrir um coração cansado de feno e alfafa.
Retranscrevi a palavra nauta sem os pés no chão,
Construir o que rui é obra de possessão,
Amai-vos uns aos outros,
Trocai-vos uns pelos outros,
Matai-vos, uns, aos poucos,
Deixai sobreviver a hera que a tudo herda.
O cavalo, cansado de si e de tudo,
Abraçou seu cavaleiro e, a corda,
Tensa sobre o abismo,
Riu o riso dos que balançam,
Enervou-se e, serpente,
Abriu o ziper do peito e lá estava,
Desfeito, feito feito fundido,
O coração das estrelas que voam aos gritos.
As pombas, cansadas de e pela paz,
Incapazes de doar e voar,
Entraram, céleres, pela porta do casebre;
A luz, encostada à sebe, piscou,
A mão humana fechou-se em fúria
E Deus gritou - Absalão! Absalão!
Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 26/07/2006
Reeditado em 26/07/2006
Código do texto: T202527


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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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