ROUPAS SUJAS E XÍCARAS QUEBRADAS (REVISITADA)

Eu sei que me queres nua

numa nudez toda inteira.

Mas não me agrada a brincadeira

de misturar entre nós,

mesclar entre as alegrias,

os suores e as dores

que vivo no todo dia.

No meio da nossa nudez,

tão sagrada e tão amiga,

não desejo ver mescladas

as louças sujas,

as xícaras quebradas,

as armadilhas da vida.

Não quero as nossas almas

feito xícaras sem asas,

como louças (al) quebradas,

roupas rotas, remendadas.

Quero-as desnudas

e, assim desnudadas,

não as quero vestidas

com números de extratos bancários.

Prefiro-os todos guardados,

devidamente trancados,

a muitas e muitas chaves

dentro de algum armário.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 28/05/2005
Código do texto: T20481
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