SEXO GRAMATICAL E LITERÁRIO

Sujeito-me,

indeterminada

e indefinidamente

aos teus predicativos,

e vou ficando assim,

coordenada e assindética,

ligada aos teus sorrisos

e embora pareça antitética,

me lixo aos adversativos

avisos das diferenças estéticas

entre o tamanho do nariz

e a belíssima metáfora

das estradas no teu rosto.

O que gosto neste amor

é a eterna falta de subordinação,

a coordenação perfeita

entre os teus substantivos masculinos

e minhas mitológicas partes,

que, convenhamos,

já não fazem mais parágrafos

nem textos:

viraram obras de arte.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 28/05/2005
Código do texto: T20483
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