SONHO DE SACERDOTISA

QUE NINGUÉM ESTRANHE: COISA DE GENTE MEIO MÍSTICA, QUE SOU MESMO, NÃO TEM JEITO. RESPOSTA EM SONHO À PERGUNTAS FEITAS EM VIGÍLIA. NÃO ESQUEÇO JAMAIS.

Em meio às árvores da floresta,

bem no miolo da clareira,

sobre um banco de nada sentada

uma velha fiandeira

tecia uma enorme teia.

Nas mãos, fios enormes de prata

brilham sob o enorme luar.

Ao seu lado, parada a olhar

a moça de cabelos de ouro

observava as mãos que teciam

com a habilidade de milênios

trabalhavam, vinham e iam.

Com a calma dos velhos sábios

laçava, dava nós, entrelaçava.

Puxava os fios do nada,

do céu pareciam sair,

de imaginária meada,

como se algo de mágico

dos deuses os fizesse surgir.

Os cabelos dourados

seguiam seus movimentos,

tentando entender ou antever

o que no próximo momento

a sábia velha faria

do produto de seu tecer.

Sem mais poder se conter

a moça ensaiou a questão

sem segurar a curiosidade

perguntou depressa a razão

e o que tecia ela de verdade.

A anciã, sem parar o trabalho,

sem nem mesmo olhar

quem estava a perguntar

respondeu, vendo, sem olhar:

Menina, feche seus olhos ao mundo,

abra -os à Grande Mãe

que deste mundo é quem sabe

tua vida, teu ser, teu caminhar.

Sabe o que pensas, onde vais,

só ela e você é quem sabem

por onde deves passar.

Não questiones tanto na vida,

nem olhes por onde pisas.

Não pisas caminho nenhum

teu caminho é de luar ,

estrada de Sacerdotisa.

Por isto, não é preciso

que me perguntes mais nada

Agora sabes, compreendes,

que minha teia é tua estrada.

Estrada feita de luz,

de lua feita de prata,

estrada de quem se pensa,

olha pra dentro, mais nada.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 29/05/2005
Código do texto: T20554
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