CAIXAS EMPOEIRADAS COM LAÇOS DE SANGUE

Buscando

aquela que é

não a encontro

nas esquinas

ou nas caixas de maquiagem.

Esta existe.

Está.

Mas não é a que é.

Antes, encontro-a

nas falas baixíssimas

de velhas benzedeiras

e em sua sabedoria cheia de rugas.

Nas suas saias longas

e em seus negros

xales de croché.

Ela persiste, insiste

e existe nas vielas

hoje, etéreas, da criança.

Na fala de minha mãe, sorridente,

à beira do fogão a lenha

"Agora não, menina, que está quente"...

Aquela que é não está exposta.

Está guardada na imaginária caixa,

empoeirada, quase decomposta,

que o tempo não envelhece,

amarrada com o laço vermelho

do sangue de nossa história.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 29/05/2005
Código do texto: T20559
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