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O COMEDOR DE ESTRELAS

Me perdoem as crianças, seus brinquedos,
Sombras e escuridão me encheram de medo,
Não fugi, não escapei, sou ode mortal,
Humana, grotesca, ocre animal.

Enquanto a fuligem entope seus narizes
Inventei um Darwin, produzi matrizes,
Esqueci, no Paraíso, o primeiro verso da canção,
Esgotei todas possibilidades do meu coração.

Me perdoem os astronautas mergulhados no céu,
Dízimos paradisíacos envoltos no celeste véu;
Todo supor está tão dentro que parece fora
Como um poema supõe ter antecipado a sua hora.

Enquanto o vasto e neutro campo produz metáforas,
Creio no jejum de palestras e em suas diásporas;
Por mais que me esqueça do que produzi,
Longe, bem longe, do que sei me arrependi.

Me perdoem os silêncios que gritam dentro da hora,
Do quanto não escuto a vasta sinfonia da aurora;
Troquei a viagem por permanecer no aqui,
Como transmutado e insensato colibri.

Enquanto o demiurgo e virgens vestais
Procuram o êxtase no caleidoscópio dos animais,
Eu, suposto ego e forma mental e traduzida,
Escancaro a poça cósmica como única comida.







Preto Moreno

Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 30/07/2006
Reeditado em 09/11/2007
Código do texto: T205620


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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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