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RAIVA

R – A – I – V – A
Apenas um vocábulo a mais.
O que contém ele,
Além de duas consoantes e três vogais?
Além do azul da tinta?
Além do preto impresso nos jornais?

A pequena palavra transposta
Do plano lingüístico para o ser,
Para as veias, para as mãos,
Explode-se e ai mesma
- voam as consoantes e vogais
E o azul se torna sangue
E o preto, noite.

Turbilhão violento devora vorazmente
Qualquer laivo racional
Arrasta, puxa para o fundo
De um poço descomunal.

Após o mergulho insano
Apalpando quase às cegas os destroços
Flutuando na superfície quase calma
É possível numa nova reviravolta louca
Destruir mais ainda os restos.
Fazê-los serem tragados novamente
Impedi-los a qualquer custo que voltem à tona
Olhos secos.
Sem dor, só RAIVA.
Será ela uma raiva cega,
Permanente,
Presente
De impossível restauração
Sentimento sempre crescente
Definitivo...

Após o mergulho insano
Apalpando quase às cegas os destroços
Flutuando na superfície quase calma
É possível recompor a forma anterior
Esmerando-se nos detalhes
Colocando-a longe de um provável vendaval
Cuidando para que não se perca nunca.
Derrubando uma lágrima de perdão
Sentindo a dor aguda
Ela era raiva de amor
É azul, é dia.
Izabel Martho
Enviado por Izabel Martho em 01/06/2005
Código do texto: T21232


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Sobre a autora
Izabel Martho
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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Izabel Martho