VERSOS QUE FIZ

Há versos que fiz de dores,

outros me inspirou a alegria.

Teço sofisticadas imagens

de luas no céu e no chão,

refletidas nas poças d’água

da fria chuva da madrugada.

Escrevi versos de desejo

fixando o olhar num retrato

e o pensamento no infinito,

nas horas em que o silêncio maciço

ondula diante dos meus olhos

lembrando ancas luxuriosas.

Ousei, fui mais atrevida,

versejei a partir dum sonho,

um corpo em repouso no leito

e uma boca a beijar-me o seio.

Cristalizei letras e vocábulos

do quebra-cabeça da linguagem

com eles construí poemas de fogo,

de presenças, de ausências

e de visão metafórica

do sono eterno da morte.

Mostrou-me, a musa, sombras,

vôos de feixes de luz,

aguçou meu exotismo,

desnudou meu erotismo

plasmando-o em cada palavra

dos versos que já fiz.

04/06/05.