Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

LEONÍDIA (*)

Loucas
são as mulheres
que ainda amam poetas!

Fascinante história
— a dela —
mais fantasiosa
— até —
que os delírios
— impiedosos —
do Poeta,
de onde
— como musa —
apareceu.

Loucas
são as mulheres
que ainda amam poetas!

O quarto de sua memória
não será mais achado pela luz
vinda das duas janelas longínquas
acortinadas, ao fundo do corredor.

Loucas
são as mulheres
que ainda amam os poetas!

A sanidade da sua emoção
não estará no porte de ser dama
vinda do alto da escada, esperada
como o corrimão, vindo pra jantar.

Loucas
são as mulheres
que ainda amam poetas!

Na cama, a claridade pouca
não ficará restrita à luz das velas
vinda da escuridão da noite repleta
de grilos e dos beijos pro silencio.


Loucas
são as mulheres
que ainda amam poetas!

Mas poucas serão
— das loucas que amam os poetas  —
como Leonídia!

Conhecedora do platonismo
esperou a causa e o poeta
o amor sem cabeça nem pé
com parada em Curralinho
fazendo-lhe anjo da noite!

Mas as loucas ainda existem!

Loucas
são as mulheres
que ainda amam poetas!

Elas,
assim como Leonídias,
alienadas e fora do tempo
guardarão os versos
— manuscritos e memória —
em um asilo qualquer
na bagagem da loucura pouca
que calará o amor, inconsciente.

Loucas
são as mulheres
que se perdem amando poetas...



(*) Leonídia teria sido mais uma bela história de amor do poeta Castro Alves. Morreu em um asilo, em 1927, após ser internada pela família. A “louca”, até seus últimos dias, afirmava que fora a “noiva” do Poeta.
Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 06/06/2005
Código do texto: T22426
Classificação de conteúdo: seguro


Comentários

Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
662 textos (21029 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 26/11/20 00:17)
Djalma Filho