II

havia seguido sozinho

porque o sol que ascendia a minha direita

ofuscava todo olhar que eu dirigia.

mudei o rumor das árvores

acalentando sombra

frescor que lavasse minha alma de todo pesadelo.

segui a esquerda imaginando que no horizonte

eu fosse topar com os meus sonhos.

os pés cansavam a cada passo,

mas eu tinha esperança.

para distrair decidi encarar as nuvens,

seu movimento delicado

contrastava com o tremor que eu não conseguia conter;

um amigo me havia dito que nesta horas

se orasse com fervor todo este desespero se dissiparia;

eu orava com um dos olhos abertos para ver se algo acontecia.

não acreditava por inteiro

tinha fé na poeira que cobria o caminho

e soterrava os viajantes.

enquanto caminhava

os costas deixavam o peso do sol para trás,

esquecia.

era convidado pela noite a me entregar

nisso eu tinha fé

largava o corpo a seguir o caminho que quisesse,

não tinha mais olhos

não sentia que o fim chegava

mas ele estava lá aguardando o meu abraço,

isso eu sabia

porque é sempre com um abraço que o fim se inicia.

daniel rodrigues
Enviado por daniel rodrigues em 10/09/2006
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