A MÚSICA DE TODAS AS MULHERES

Lá dentro

uma mulher

está cantando no vale.

Apesar da sombra

que vem chegando

e apagando-a aos poucos,

ela canta.

E seu canto ergue-se

sobre os morros

e cobre toda a planície.

Ela canta

porque seu canto forte

em voz doce,

não canta a morte, a mesmice.

Ela traz o coração partido

como um vaso, que caído,

estilhaçou, fez-se cacos.

E ela segue cantando

como quem escreve um poema,

uma ferida de amor

aberta pelas coisas, pela vida.

Ela canta as dores

mas seu cantar é doce

e sua alma, uma flor.

Aberta em várias pétalas,

uma delas Beleza,

a outra delas Amor

e na haste destas pétalas,

uma outra se chama Dor.

Ela canta sozinha

porque as outras se calaram

diante do seu cantar,

reconhecendo a si próprias,

e, meio assim, por encanto,

ouviram seu próprio canto

que já não sabiam cantar...

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 19/06/2005
Código do texto: T25991
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