A BOCA(singela homenagem aos fofoqueiros/revisada)

À boca-pequena se espalha

as mazelas do vizinho,

os segredos dos parentes,

em detalhes comezinhos.

Boquirrotos, boca-abertas

sempre tem gente esperta,

plenas de “boas” intenções,

mais ainda de interesses,

que boca-a-boca carregam

a vida daquele e deste...

Bocas-grandes de plantão

têm sempre de prontidão

a última nova do dia

pra despejar noite e dia

aos boca-abertas dispostos

a lhes dar ouvidos postos

e passar adiante a novela

sem antes deixar de pôr

mais um ponto ao conto em tela.

Mais fácil do que arruaça,

que briga na boca-do-lixo

se encontra esse tipo de bicho

espalhando em bocas-de-Matilde,

com arzinho de humilde,

o que “não queria dizer, mas...”

e mais ainda, à espreita,

encontra-se para colheita

quem queira saber em detalhes,

não por maldade, imagine,

o que vem depois do mas, o erro, o crime.

Essa gente tão bondosa,

tão boa de verso e prosa,

promete que tudo não sai dali,

jura boca-de-siri,

minutos antes de ir

já tem a boca coçando

pra sair boquejando

ao boca-larga da hora

que em seguida volta à carga

neste trabalho sem par

que fazem aí pela vida

tanta gente distraída,

que se mudas fossem, seria

o maior benefício, alegria...

Chego a pensar que a boca,

este pedaço tão especial,

feito pra beijo, carinho, bendição,

colocada em gente errada

transforma-se rapidamente

em picada de serpente,

punhalada, maldição...

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 19/06/2005
Código do texto: T26032
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