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prefiro a vossa leitura

olha eu aqui, mãe,

no topo do mundo!

o melhor entre os poetas

eu não te disse, mãe,

que um dia eu chegava?

e agora, mãe, fazer o quê?

já tudo perdeu a graça

daqui pra frente só anticlímax

ai, que saudade de quando eu era

só aquele piá descalço

deslizando nas geadas

roubando mimosa da dona tuta

cavando montes de areia de construção

catando goiaba no terreno baldio

do lado da casa dos polacos

bebendo a garapa do seu zé

os banhos de chuva escondidos

por que, a senhora lembra?: "não pode, meu filho"

tanta coisa, mãe

que nem aguento lembrar

como aquele poeminha

sem forma, sem rima

sem nada

que um dia eu mostrei

e a senhora riu e eu ri

e que não precisava de nota nenhuma
aluísio de paula
Enviado por aluísio de paula em 21/06/2005
Reeditado em 21/06/2005
Código do texto: T26518


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Sobre o autor
aluísio de paula
Curitiba - Paraná - Brasil, 47 anos
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aluísio de paula