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O POSTE

os postes
ficaram visíveis;
em suas sombras
bêbados não vomitam impropérios
por porre de qualquer palavra à-toa
cachorros não mais urinam impunemente
nem por instinto nem por insanidade.

em seus céus
mariposas tonteiam
qual cabras-cegas
numa tentativa de suicidar a noite
inútil, enquanto os namorados,
recostados, cansados e coitados, atiram
pedras para deixar a luz em solidão.

os postes,
visíveis,
acenderam-se ingratos
na rua
que me viu bêbado de escuro
que me flagrou, sem público, com Madalena
para que o dia, em sol, colhesse todas as pedras

jogadas ao poste,
agora, de concreto.
Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 25/06/2005
Código do texto: T27555
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho