ACRIANÇAMENTO

passam-se os dias,

o corpo fica o mesmo!

de primeira,

teu olhar bateu na minha alma,

nesse encontro de olhos parceiros

almas semelhantes sentem uma inusitada

coceira nos dedos e vontade de casar.

desacostumado às alianças

o dia passa

e o corpo é o mesmo!

mais aguçada,

tua bunda, de tamanho exato,

tão proporcional a tanto recato

ficou de costas, sentiu-se envergonhada

deu de bruços, espreitou-me insólita.

desacostumado com a paisagem

o dia passa

e o corpo continua o mesmo!

mais acomodados,

nossos cheiros de acasalados

pelo dia-a-dia conquistado

acostumaram-se com o bem-querer da vida

à espera da mesma essência do perfume.

desacostumado com o cheiro forte

o dia passa

e o corpo permanece o mesmo!

mais descobertos,

sob a pouca colcha de linho

sem medo do escuro quarto

acomodamo-nos com a falsa cama de dormir

rangida sem o alarido dos despertadores.

desacostumado com a maternidade

o dia passa

e o corpo sustenta o seio

da amante de alma e leite

acostumada com o corpo adulto

dos dias de ontem

tão ameninados

quanto a pureza da nudez.