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Manhã de outono

Um movimento lesto da minha mão
um simples gesto trocado em vão
com o alvor enevoado da madrugada...
Um riso esbatido contra o frio denso
e o adeus singelo
e a despedida
calma e terna à noite que se vai...
No choro sincopado da chuva triste
surge o ser amadurecido no teu corpo,
que se ergue soberano sobre mim...
Rústica criatura corroída pelo esquecimento,
pela atroz indiferença dos dias,
que rumam ao encontro do crepúsculo...
Não devo mostrar-me a ti, manhã...
Não posso pensar que mereço acordar.
Sou tão indigno que choro ao desejar-te.
Por isso fugirei para bem longe!
Para onde as manhãs não nasçam como tu...
Tão lindas
tão puras
e tão necessárias...
Irei depressa para lá chegar vivo
e para que o arrependimento não faça
com que eu infeste o teu ar virginal...
Correrei cegamente para atingir sorrindo
a manhã cinzenta e penumbrosa que mereço...
Para atingir a paz de morrer numa manhã de outono!
Jacinto Valente
Enviado por Jacinto Valente em 09/02/2007
Reeditado em 25/09/2008
Código do texto: T375287

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Sobre o autor
Jacinto Valente
Portugal, 60 anos
114 textos (7076 leituras)
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Jacinto Valente