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FANÁTICOS ROBÔS

FANÁTICOS ROBÔS

Não tenho palavras para expressar
o que a ti diria, sem pensar
em outro tempo, outro lugar
outro corpo que pudesse amar

resta esse tempo louco, apressado
fazendo viver menos e mais depressa ainda
com essas coisas ebulindo por dentro
querendo tempo para serem vivas.

Não há tempo, nem lugar
fanáticos robôs festejando
o momento da lubrificação
ficamos nós, à espera de emoção.

Perdemos nossos dias nessa faina
nessa inutilidade sem graça
prestando atenção na mobília
esquecendo de morar na casa.

Talvez entendas que me faltam palavras
como falta afeto. O que seria do mar
se não fosse o vento do deserto?
Talvez entendas a alma que carrego.

Quando for demais tardio
quando nada mais restar
poderei sentar-me em alívio
de não precisar falar

as coisas que deveria
o amor que tinha
as obrigações esquecidas
as palavras intraduzidas.

Quando tentares entender
que minha arma é o que me finda
perceberás, atrás da face definida
um certo sarcasmo para com a vida.

E inveja dessas máquinas indecentes
que ficam esquecendo gente
nascendo de qualquer introjeção
sorrindo na orgia da lubrificação.

Inveja, sim. Que, amanhã,
quando reiventarem o idioma
aqui estarão elas para dizerem
as palavras que agora me somem.

 
jgmoreira
Enviado por jgmoreira em 10/02/2007
Reeditado em 10/02/2007
Código do texto: T376574


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Sobre o autor
jgmoreira
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 61 anos
447 textos (4101 leituras)
122 áudios (2981 audições)
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jgmoreira