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INSONIA

INSONIA

Vou lutando nos teus subterrâneos
Nadando contra tuas correntezas
Vivendo mil perigos
Ousando mil proezas
Lanço meus deuses
Contra teus demônios
Tentando a vitória:
Desancar o teu mal do meu bem.

Percorrendo as tuas profundezas
Caminhando em meio tuas destemperanças
Continuo. Mais um passo na tua avenida principal.
Aventuro uma corrida para te alcançar
E me perco. Os caminhos se desencontram.
Ah, meu bem, os meus são caminhos
Os teus, descaminhos.
Caminhamos paralelos por estradas diferentes.
Prossigo mais um passo para dentro da tua casa.
Vejo como é a sinapse dos teus neurônios
Como são e se fazem os seus sonhos e imaginares;
Como amadurecem os frutos em teus pomares.

Fronhas, lençóis e travesseiros
Sobre a cama desarrumada
Música ecoando nas tuas paredes
Bandeiras agitadas
Risos a bandeiras despregadas
De risadas encaracoladas e enroscadas
Em pés de mesa e cama.

Vou avançando em passos sutis para dentro de ti
Prosseguindo e lutando em teus campos
Vendo o desabrochar de tuas flores
Em manhãs d´orvalho.
Deito-me e cubro tendo as tuas damas-da-noite
Como único agasalho.
Enterro-me sob teus brancos lírios
Ouvindo canções boêmias
Túmulos, sarcófagos e sacrários
Da paisagem interior.

Envelheço nas tuas idades
De cabelos grisalhos
Sacudo o pó do tempo
De sobre os ombros caídos
Uso da pena e o pergaminho
Para fazer o mapa das estações
Para desenhar a vertical do tempo.

Curtindo a pele no tu sol causticante
Deixo-me levar por caminhos dissidentes
Das minhas opiniões
E pelos cantos vindo das bocas dos aldeões

Espojo-me nas ruas como asfalto
A avalanche das tuas rodas
Me paraleliza a língua torta.
Cansado e sonâmbulo arranco pêndulos
De relógios gigantescos
Que por séculos e séculos
Estão a contar-passar vidas
 
Onze horas, quase meia-noite
O coro de resmungos de bêbados
ecoa nas ruas.
O limpamundo cumpre sua sina
O bar continua aberto, fim da linha na esquina
Escrevo com o sangue do meu pulso
O meu nome na parede descascada de um beco
Como se adiantasse algo protestar.

O aluvião de aves noturnas continua
A empoleirar-se no meio dos fios
Contando histórias, mentiras e glórias
Da noite passageira.
Sorrindo, a Terceira Maria incendeia-se no céu
Antigo de tata noites:
Deus te guie, Zelação, e te livre
De todos os males!

Aprisiono meu sonho debaixo do travesseiro
Guardando-o para ser sonhado depois.
Os ponteiros milenares dilaceram a visão
O coração do relógio continua a bater sem emoção

A noite corre célere pelos caminhos
Mil do Criador. Os amigos,
(doces e desprotegidos abrigos)
caindo de bêbedos
amanhã acordarão para o trabalho
para o passar pelas coisas que passam sem serem vistas.

Abraço quem me amo.
Nessa noite, exonerado foi Deus do cargo
De Presidente do Mundo.
jgmoreira
Enviado por jgmoreira em 10/02/2007
Código do texto: T376644


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Sobre o autor
jgmoreira
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 61 anos
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