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NECEAR

NECEAR

Sabes, às vezes me surpreendo a passear no gume
por pura arte, nunca divertimento ou aventura.
Controla o desejo de perigo a mão resoluta
que aperta o coração pra sufocá-lo
impedí-lo de amar o mais inútil da luta.

Meto-me nas sombras onde somam-se os inimigos
com as armas assestadas com ódio ao delírio
Brilham seus olhos à espreita do descuidado
que passa alerta, deliciando-se com o risco.

As baionetas caladas sussurram ventriloqüismos
tornando sibilos os pensamentos assassinos
Os olhos, pelos cantos, procuram decifrar
qual sombra tomará vida para minha vida tomar.
Qual teatro, ensaiado bem antes da alma respirar
vida ao corpo, que já sabia que ao gume seria dedicado,
ergue-se a mão abrupta, tomada hedionda pela força bruta
fendendo o ar, golpenado com destreza absoluta
Certeira pontaria abre a carne
agridoce aroma da sangria desnecessária. E absurda.

Após vencido o inimigo, que estertora sua derrota
no fio chão, nauseando-se com o próprio sangue
debruço-me sobre seu último gemido
misturando minhas lágrimas de dor
à dor do caçador surpreendido.

Verto meus cálices de arrependimento
pela ânsia vil que me anima
apenas por vencer cada luta.
A mão que poderia balouçar o filho, e é lâmina
comprime o peito dilacerado pelo sofrimento
de fazer morrer para deliciar-se com a vida.

O coração, esfacelado pela mão talvez de poemas
sequer cogita compaixão ou rancor.
Sereno empurra o corpo pelo vale da morte
buscando outro gume para não conhecer do amor.

jgmoreira
Enviado por jgmoreira em 10/02/2007
Código do texto: T376742


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Sobre o autor
jgmoreira
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 61 anos
447 textos (4101 leituras)
122 áudios (2981 audições)
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