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POEMA'NDANDO D'AMOR

POEMA'NDANDO D'AMOR
EER

Das coisas que deixo imperfeitas
uma doerá até o fim
Até o último final
Até quando me acostume
com a laceração constante
que não mais seja dor.

Essa coisa imperfeita
carregará teu nome como osmales
carregam ruínas; como os mares
guardam os peixes; com o mesmo esforço
com que os reis ostentam os cetros.
Estarás em mim como a solidariedade
nas aves de arribação
com a mesma altivez do injustiçado
a caminhar, encapuzado, para o inusitado

Essa imperfeição que doerá até o final
como a solidão que as gaivotas
carregam sob as asas cinzas,
será latejante.

Em todos os olhos em que olhar
verei os teus: sorrirei tristonho
como sorriem os marinheiros
quando o barco dá a volta
retornando ao mar. E se os olhos
forem aos teus parecidos, ah,
não me peça que descreva tal dor.

E quando essa imperfeição não mais doer
quando a ela me acostumar
acomodando minhas carnes à
ponta agudo constante da seta
quando não mais queimar meus lábios
a simples lembrança de teus beijos
sonharei ainda contigo
serei insono noites a fio
ouvindo estrelas e aprendendo tristezas
julgando ouvir teu riso
em cada ruído da noite

acreditando serem teus os passos
que escalam as escadas
passam reto e batem na porta ao lado
Aquecerei minhas solidões
com o calor dos teus olhos refletido
nas estrelas, posto crer na tua promessa
de para elas ter olhos eternos:
todas as estrelas refletirão teu rosto
para que minha melancolia não seja
tão tormentosa

Nas tardes poentosas serão os teus cabelos
que cobrirão o mundo da tranquilidade
da qual, nessa hora, farta-se a cidade.
Assim, a ponta da lança não atingirá tão forte;
não fará que se derramem minhas lembranças
por onde quer que eu vá.
E no quando do meu caminhar sózinho
sobre claras areias de praias esquecidas
estarei lado a lado contigo
pedindo para que creias no meu amor.

Quando à procura de alguém
pelas ruas sempre multi repletas
sem perceber, procurarei teu rosto
confundindo todos os outros que vir
Uma pessoa me tocará o ombro,
direi aflito teu nome
mas terá sido a mão de um amigo

Quando perceberem todos que só amo a ti
na certa se afastarão, por não aceitarem os amigos
serem divididos com um amor tão indefinido:
então terei todos os meus dias sózinho contigo.

A tudo te serei fiel
amor meo
A tudo, corasol
(coração)
no eterno do céu
no tempo nesse chão.
Sempre,
paixão.
jgmoreira
Enviado por jgmoreira em 10/02/2007
Código do texto: T376811


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Sobre o autor
jgmoreira
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 61 anos
447 textos (4101 leituras)
122 áudios (2981 audições)
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