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O CHOCOLATE AMARGO E A LAGARTA-DE-FOGO

no tempo do eu pequenino,
os meninos da rua
riram de mim
quando, de pernas tortas, desaprendi futebol.

não era branco nem negro;
mas sobre a pele havia uma lagarta-de-fogo,
sensível e vulnerável,
afogueando a carne ainda fria:
ossos remoídos deste ser quase indiferente.

Pedi perdão pelo riso dos meninos,
tão desavisadinhos,
que desdenharam do diário exercício
de escrever no pique-esconde,
de morder a dois um  pão-de-mel,
de trocar de braços na quadrilha Junina,
ou de tocar a língua no chocolate amargo!

Fui o traço afoito
do dedo ao livro
a caminho do escritor,
roto e esfarrapado,
que hoje sou.

Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 30/07/2005
Código do texto: T38799
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho