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A ILHA

Por mares tantos dantes navegados,
Em proa aberta e em roupa de soldado,
Vi, por força de ver e ter olhos,
Por querer a enseada sem abrolhos,
O destino acenando-me as mãos, e eu,
Pseudopoeta em delírio e confusão,
Armei-me de versos e trovas e trevos;
Pois que sorte busco ter e à qual não devo
Ser indulgente criado, mesmo em pequeno enlevo,
Criei-me de forças e desci em barco à praia,
Que nada mais é que da eterna terra a saia,
Pus-me a por cerco ao que desconhecia
Como se quem indaga em si traga
Reveladora poesia...

Ao chão os pés tocam como que plantas sem raízes,
Da estufa fosse o meu corpo de jardineiros felizes,
O hálito da areia a tomar-me pelos tornozelos
E, elevatório, alcançar-me até o oculto dos cabelos,
Razões antigas que aprendi sem por dúvidas demais
Caiam despedaçadas como quartos de comestíveis animais;
Seria o quê este lugar a dar-me medo e algum pavor
E a tirar-me de minha coragem sem em seu lugar nada pôr?

Ao cabo de meses que se juntavam e procriavam anos
Senti-me por descobrir que uma ilha é algo sem planos,
E cada parte dela é o pedaço do todo a ser descoberto
Pelo curioso que procura pelo longe que sempre está perto;
Como que varrido de todo saber antigo e pelo novo tomado
Fui possuído pelo eterno presente que enterra o passado:
As linhas que se lia por todo o imenso e diminuto chão
Nada mais era que o carretel de sangue de meu coração.




 
 

 
Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 26/02/2007
Reeditado em 26/02/2007
Código do texto: T394400


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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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